JANUA

A Janua Obras ajuda pessoas, não só empresas

Nas reuniões em que apresento a plataforma, toda a gente vê logo o que ela faz à empresa. Mais produtividade, mais controlo, mais automatização. O que raramente se pensa é no que ela faz a cada pessoa da equipa. A construção é das indústrias com mais burnout e das que mais gente perde. E a razão principal é a quantidade de informação que uma obra tem e os conflitos que ela gera.

Manuel Passos
Manuel Passos

Engenheiro Civil · OE n.º 90252 (OERN) ·

A Janua Obras ajuda pessoas, não só empresas

A Janua Obras não foi feita só para as empresas. Foi feita para as pessoas que trabalham nelas.

Quero começar por aqui, porque é a parte que fica sempre por dizer.

Quando vou a uma reunião apresentar a plataforma, quem está à mesa percebe depressa o que ela faz. Administradores, engenheiros, arquitetos. Ninguém precisa que lhe expliquem como. Sabem que vai aumentar a produtividade da equipa. Que vai dar mais controlo sobre os projetos. Que vai automatizar processos na empresa e na operação.

O como é óbvio. Ninguém perde tempo com isso.

O que raramente entra na conversa é outra coisa. O que é que isto muda na vida de cada pessoa da equipa.

A plataforma serve a empresa. Mas quem a sente todos os dias é uma pessoa.

Uma indústria que gasta pessoas

A construção e a gestão de obra estão entre as indústrias com mais burnout. E entre as que mais gente perde para outros setores.

Em Portugal ninguém mediu isto. Medem-se prazos, custos e desvios. As pessoas não se medem.

No Reino Unido mediram. O Chartered Institute of Building fez o mesmo inquérito ao setor em 2020 e em 2025 e publicou a comparação. Os que sentem stress todas as semanas passaram de 39% para 58%. E 82% pensaram em deixar a indústria pelo menos uma vez no último ano.

82% pensaram em deixar a indústria no último ano.

Cá, os sinais são indiretos mas apontam para o mesmo sítio. Faltam 80 mil trabalhadores, segundo a AICCOPN. E quem esteve em Engenharia Civil em Coimbra há vinte anos conta que eram 145 alunos por ano. Hoje rondam os 45.

Menos gente para as mesmas obras. A pressão por cabeça só pode subir.

A razão é a informação

Uma obra tem uma quantidade de informação que não cabe na cabeça de ninguém.

Um mapa de quantidades pode ter mais de 500 artigos. Há obras com mais de 600.

São 500 trabalhos. Cada um tem de ser executado, controlado, medido e cobrado. E cada um tem alguém que é responsável por ele.

À volta do mapa está o resto. As propostas dos empreiteiros, os autos de medição, os pedidos de esclarecimento, as atas, os boletins de materiais, as compras, os desenhos e as revisões dos desenhos. Tudo a mudar todas as semanas.

Quem gere a obra tem de saber onde está cada coisa e em que estado está. Na maior parte das obras, sabe-o de memória. Ou não sabe.

E a informação gera conflitos

Com esta quantidade de informação, é quase certo que surjam conflitos. Entre o empreiteiro e o dono de obra por causa de uma medição. Entre o diretor de obra e um subempreiteiro por causa do que estava ou não estava na proposta. Entre a obra e o projetista por causa de um desenho que mudou. Entre a obra e o escritório por causa de uma fatura.

Os conflitos são desgastantes. Muito mais do que o trabalho em si.

A Arcadis publica todos os anos um relatório sobre disputas na construção. As causas principais repetem-se. Má administração do contrato. Reclamações sem suporte. Uma das partes não perceber o que estava contratado. Nenhuma destas é má fé. São problemas de registo.

Quem tem o auto de medição feito e ligado ao mapa discute com o registo à frente. Quem não tem, discute de memória.

Discutir de memória é o que desgasta.

O que a plataforma faz à pessoa

Uma plataforma como a Janua Obras não aumenta apenas a produtividade e a rentabilidade da empresa. É muito mais do que isso.

Tira a pressão de cima do diretor de obra. Do arquiteto. Do engenheiro. Do administrador que tem três obras a correr ao mesmo tempo.

Essa pessoa passa a sentir que tem a obra sob controlo. O mapa, as propostas, os autos, os pedidos de esclarecimento, as atas e os documentos estão no mesmo sítio, ligados uns aos outros. Não há duas versões da obra nem uma medição perdida num email.

E há uma inteligência artificial a olhar para tudo isso. Pergunta-se o que se passa e ela diz. O que está atrasado, o que está por responder, o que é urgente e o que pode esperar.

Não é ter mais dados. É saber que nada se está a perder.

É a diferença entre ir para casa a pensar na obra e ir para casa.

Conclusão

Na próxima reunião, quando alguém disser que a plataforma vai aumentar a produtividade, a resposta é sim. Vai.

Mas o que eu gostava que ficasse em cima da mesa é outra coisa.

A Janua Obras ajuda a empresa. E ajuda, primeiro, as pessoas que carregam a obra.