As exclusões de uma proposta não aparecem no mapa comparativo
Três propostas para a mesma especialidade, três totais a menos de 7% uns dos outros. O mapa comparativo diz qual é a mais barata. Não diz o que cada uma deixou de fora, porque isso está escrito no PDF, na última página, numa nota de rodapé. A Janua Obras passou a ler esse PDF.
Engenheiro Civil · OE n.º 90252 (OERN) ·

Um mapa comparativo compara preços. É para isso que existe e fá-lo bem.
O problema é que uma proposta não é só preços. É um PDF com quatro, oito, doze páginas. Os preços estão no meio. O que muda o valor real da proposta está quase sempre no fim.
Duas propostas com o mesmo total podem não estar a orçamentar a mesma obra.
O mapa mostra o que cabe numa célula
Quem já montou um mapa comparativo conhece o gesto. Abre-se o PDF de cada empreiteiro, passam-se os preços unitários para a coluna dele, soma-se. No fim, uma linha de totais e uma cor na proposta mais baixa.
Tudo o que não é um número fica para trás. Fica no PDF.
E o que fica no PDF é exatamente o que decide se a proposta mais baixa é mesmo a mais baixa. «Não inclui abertura e tapamento de roços.» «Preços do cobre sujeitos a atualização à data da encomenda.» «Prazo a contar da disponibilização total da frente de obra.»
Nenhuma destas frases tem lugar numa célula. Todas têm custo.
Um exemplo com números redondos
Uma moradia, a especialidade de eletricidade, três propostas. Os valores são ilustrativos. A situação acontece em quase todos os concursos.
| Proposta | Total | O que está no PDF |
|---|---|---|
| Empresa A | 48 200 € | Exclui roços e tapamentos. Exclui a certificação da instalação. Preço do cabo válido 30 dias. |
| Empresa B | 49 900 € | Inclui roços. Exclui o fornecimento das luminárias, a cargo do dono de obra. |
| Empresa C | 51 300 € | Inclui tudo o que está no mapa. Prazo condicionado à entrega do projeto de ITED revisto. |
No mapa comparativo, a Empresa A ganha por 1 700 € à B e por 3 100 € à C.
Só que os roços e tapamentos de uma moradia não se fazem por 1 700 €. As luminárias que a Empresa B deixou de fora podem valer mais do que toda a diferença. E a Empresa C, a mais cara, é a única cujo preço é o preço final, desde que o projeto revisto chegue a tempo.
A ordem pode inverter-se por completo. E nada disto aparece na linha dos totais.
Onde costumam estar as exclusões
Não há um sítio fixo. Cada empresa tem o seu modelo de proposta. Ainda assim, ao fim de muitos concursos, os lugares repetem-se.
- A coluna de observações, artigo a artigo. «Só fornecimento.» «Conforme medição em obra.» «Considerado 1 un.»
- O «não inclui» no fim de cada capítulo ou no fim da proposta.
- As condições gerais, em letra pequena, na última página.
- A validade e o que acontece aos preços depois dela. Aço, cobre e betão são os suspeitos habituais.
- O prazo e a condição de que depende.
- Os trabalhos de construção civil associados, que passam discretamente para o empreiteiro geral. Roços, maciços, negativos, tapamentos, ajudas.
- Os meios. Andaimes, plataformas, gruas, energia e água de estaleiro.
- O pagamento. Um adiantamento de 30% à adjudicação pesa numa tesouraria de obra.
Ler isto em três propostas de uma especialidade é uma tarde. Ler em doze especialidades é uma semana que ninguém tem entre o fim do concurso e a data de adjudicação.
O que a Janua Obras passou a fazer
Cada proposta na plataforma guarda agora os seus PDFs. O subempreiteiro anexa o documento quando envia a proposta. Quem gere a obra também o pode anexar. Quando a proposta é importada a partir do PDF, o documento fica anexado sozinho.
As observações que vêm no PDF, artigo a artigo, deixam de se perder na importação. Ficam junto ao artigo a que dizem respeito.
No mapa comparativo, o botão «Analisar Especialidade» abre o Consultor. O Consultor lê o PDF de cada proposta dessa especialidade, do princípio ao fim. Compara o que não é preço. O que cada empresa exclui, o que condiciona, o que deixa para o empreiteiro geral.
E diz de onde tirou cada coisa. Qual proposta, qual página. Quem decide abre o PDF nessa página e confirma com os próprios olhos.
A plataforma não escolhe o empreiteiro. Mostra o que cada proposta diz, para que a escolha se faça com tudo em cima da mesa.
A conversa fica guardada por especialidade. Quem volta ao mapa no dia seguinte continua onde ficou. Se entretanto chegou uma proposta revista, o Consultor avisa que os dados mudaram.
Os PDFs de uma proposta são de quem a fez
Uma proposta é informação confidencial. Um subempreiteiro não pode ver os preços de outro. Muito menos as condições que ele pôs por escrito.
Por isso cada PDF fica reservado. Abre para quem o carregou e para quem gere a obra. Os outros concorrentes da mesma obra nunca lhe chegam, mesmo sendo membros dela.
O Consultor também só está do lado de quem gere a obra. É uma ferramenta de quem compara, não de quem concorre.
Conclusão
O mapa comparativo continua a ser o ponto de partida. Os totais continuam a importar.
Mas uma adjudicação feita só pelos totais é uma aposta de que as propostas disseram todas o mesmo. Raramente disseram. A diferença estava escrita desde o primeiro dia, numa página que ninguém teve tempo de ler.
Agora há quem a leia por si e diga em que página está.
