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As exclusões de uma proposta não aparecem no mapa comparativo

Três propostas para a mesma especialidade, três totais a menos de 7% uns dos outros. O mapa comparativo diz qual é a mais barata. Não diz o que cada uma deixou de fora, porque isso está escrito no PDF, na última página, numa nota de rodapé. A Janua Obras passou a ler esse PDF.

Manuel Passos
Manuel Passos

Engenheiro Civil · OE n.º 90252 (OERN) ·

As exclusões de uma proposta não aparecem no mapa comparativo

Um mapa comparativo compara preços. É para isso que existe e fá-lo bem.

O problema é que uma proposta não é só preços. É um PDF com quatro, oito, doze páginas. Os preços estão no meio. O que muda o valor real da proposta está quase sempre no fim.

Duas propostas com o mesmo total podem não estar a orçamentar a mesma obra.

O mapa mostra o que cabe numa célula

Quem já montou um mapa comparativo conhece o gesto. Abre-se o PDF de cada empreiteiro, passam-se os preços unitários para a coluna dele, soma-se. No fim, uma linha de totais e uma cor na proposta mais baixa.

Tudo o que não é um número fica para trás. Fica no PDF.

E o que fica no PDF é exatamente o que decide se a proposta mais baixa é mesmo a mais baixa. «Não inclui abertura e tapamento de roços.» «Preços do cobre sujeitos a atualização à data da encomenda.» «Prazo a contar da disponibilização total da frente de obra.»

Nenhuma destas frases tem lugar numa célula. Todas têm custo.

Um exemplo com números redondos

Uma moradia, a especialidade de eletricidade, três propostas. Os valores são ilustrativos. A situação acontece em quase todos os concursos.

PropostaTotalO que está no PDF
Empresa A48 200 €Exclui roços e tapamentos. Exclui a certificação da instalação. Preço do cabo válido 30 dias.
Empresa B49 900 €Inclui roços. Exclui o fornecimento das luminárias, a cargo do dono de obra.
Empresa C51 300 €Inclui tudo o que está no mapa. Prazo condicionado à entrega do projeto de ITED revisto.

No mapa comparativo, a Empresa A ganha por 1 700 € à B e por 3 100 € à C.

Só que os roços e tapamentos de uma moradia não se fazem por 1 700 €. As luminárias que a Empresa B deixou de fora podem valer mais do que toda a diferença. E a Empresa C, a mais cara, é a única cujo preço é o preço final, desde que o projeto revisto chegue a tempo.

A ordem pode inverter-se por completo. E nada disto aparece na linha dos totais.

Onde costumam estar as exclusões

Não há um sítio fixo. Cada empresa tem o seu modelo de proposta. Ainda assim, ao fim de muitos concursos, os lugares repetem-se.

  • A coluna de observações, artigo a artigo. «Só fornecimento.» «Conforme medição em obra.» «Considerado 1 un.»
  • O «não inclui» no fim de cada capítulo ou no fim da proposta.
  • As condições gerais, em letra pequena, na última página.
  • A validade e o que acontece aos preços depois dela. Aço, cobre e betão são os suspeitos habituais.
  • O prazo e a condição de que depende.
  • Os trabalhos de construção civil associados, que passam discretamente para o empreiteiro geral. Roços, maciços, negativos, tapamentos, ajudas.
  • Os meios. Andaimes, plataformas, gruas, energia e água de estaleiro.
  • O pagamento. Um adiantamento de 30% à adjudicação pesa numa tesouraria de obra.

Ler isto em três propostas de uma especialidade é uma tarde. Ler em doze especialidades é uma semana que ninguém tem entre o fim do concurso e a data de adjudicação.

O que a Janua Obras passou a fazer

Cada proposta na plataforma guarda agora os seus PDFs. O subempreiteiro anexa o documento quando envia a proposta. Quem gere a obra também o pode anexar. Quando a proposta é importada a partir do PDF, o documento fica anexado sozinho.

As observações que vêm no PDF, artigo a artigo, deixam de se perder na importação. Ficam junto ao artigo a que dizem respeito.

No mapa comparativo, o botão «Analisar Especialidade» abre o Consultor. O Consultor lê o PDF de cada proposta dessa especialidade, do princípio ao fim. Compara o que não é preço. O que cada empresa exclui, o que condiciona, o que deixa para o empreiteiro geral.

E diz de onde tirou cada coisa. Qual proposta, qual página. Quem decide abre o PDF nessa página e confirma com os próprios olhos.

A plataforma não escolhe o empreiteiro. Mostra o que cada proposta diz, para que a escolha se faça com tudo em cima da mesa.

A conversa fica guardada por especialidade. Quem volta ao mapa no dia seguinte continua onde ficou. Se entretanto chegou uma proposta revista, o Consultor avisa que os dados mudaram.

Os PDFs de uma proposta são de quem a fez

Uma proposta é informação confidencial. Um subempreiteiro não pode ver os preços de outro. Muito menos as condições que ele pôs por escrito.

Por isso cada PDF fica reservado. Abre para quem o carregou e para quem gere a obra. Os outros concorrentes da mesma obra nunca lhe chegam, mesmo sendo membros dela.

O Consultor também só está do lado de quem gere a obra. É uma ferramenta de quem compara, não de quem concorre.

Conclusão

O mapa comparativo continua a ser o ponto de partida. Os totais continuam a importar.

Mas uma adjudicação feita só pelos totais é uma aposta de que as propostas disseram todas o mesmo. Raramente disseram. A diferença estava escrita desde o primeiro dia, numa página que ninguém teve tempo de ler.

Agora há quem a leia por si e diga em que página está.