JANUA Obras apresentada no NovaNext Aveiro 2026
No passado dia 17 de junho, a JANUA Obras esteve representada no NovaNext by Hypernova, em Aveiro, num dos eventos mais relevantes do ecossistema português de inovação e investimento
Engenheiro Civil · OE n.º 90252 (OERN) ·

No passado dia 17 de junho, a JANUA Obras esteve representada no NovaNext by Hypernova, em Aveiro, num dos eventos mais relevantes do ecossistema português de inovação e investimento. A plataforma foi uma das 25 startups selecionadas para apresentar a sua proposta a uma plateia composta por fundadores, investidores e líderes empresariais.
Mais do que apresentar um produto, a JANUA Obras subiu ao palco para partilhar uma leitura crítica do setor da construção e da forma como a informação, ou a falta dela, continua a ser a maior fonte de derrapagens, conflitos e desperdício.
Descobre o que foi apresentado
Uma indústria que produz mais. E evolui pouco.
A construção é uma das maiores indústrias do mundo. E uma das que menos evoluiu. Segundo dados da McKinsey, a produtividade do setor cresceu apenas 0,4% por ano desde 2000, contra cerca de 3% na indústria transformadora.
Esta estagnação não se explica por falta de esforço de quem está em obra. Explica-se por falta de sistemas, de visibilidade e de uma forma estruturada de fazer circular informação entre quem decide e quem executa.
Os números reforçam o diagnóstico:
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Cada profissional perde, em média, mais de 14 horas por semana em tarefas que não constroem, procura de informação, resolução de conflitos e correção de erros (Autodesk & FMI, 2018).
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Quase metade do retrabalho no setor está ligado a má informação de projeto e má comunicação entre intervenientes.
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Uma empresa de construção usa, em mediana, 11 sistemas diferentes para gerir um único projeto (Deloitte / Autodesk, 2023).
Onde a entropia e o ego costumam vencer
“A construção é dos poucos setores onde a entropia e o ego costumam vencer. Cada interveniente tem o seu Excel, a sua versão do projeto, o seu telefonema ‘para resolver’. E uma razão para o problema ser sempre do outro. No fim, quem paga é quase sempre o dono da obra.”
Foi esta a tese central da apresentação. Para o fundador da JANUA, o problema da construção não é apenas técnico. É também cultural. E nenhuma reforma legislativa, sozinha, o resolverá.
“Exigimos modernização ao Estado e às entidades públicas e temos razão. Mas dentro de obra, continuamos a trabalhar como há vinte anos”, afirmou. “A maior margem de eficiência da construção está dentro das próprias empresas. Na forma como gerem a informação de cada projeto.”
Uma plataforma. Uma única fonte de certeza.
A JANUA Obras foi concebida precisamente para esse problema. A plataforma centraliza, num só sistema, a informação, a comunicação e o controlo financeiro de uma obra, do primeiro orçamento à última fatura.
Entre as funcionalidades principais apresentadas em Aveiro:
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Cronograma de obra com vista previsto vs. real por especialidade.
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Mapa de quantidades estruturado, partilhado com todos os intervenientes
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Análise financeira com desvios em tempo real, antes que se tornem irreversíveis.
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Comparação de propostas com agente de IA, o diferencial central da plataforma.
O agente de inteligência artificial da JANUA Obras analisa todas as propostas de subempreiteiros submetidas para uma mesma especialidade, deteta automaticamente quando alguém alterou quantidades ou especificações técnicas, e sugere a combinação mais competitiva, artigo a artigo. Acaba o erro clássico de comparar propostas que afinal nem são comparáveis.
Um mercado de €39 mil milhões. À espera da ferramenta certa.
Os dados do mercado português, partilhados na apresentação, sustentam a oportunidade. Portugal tem mais de 114 mil empresas de construção, com cerca de 25 mil edifícios licenciados em 2024 e um volume de negócios setorial superior a 39 mil milhões de euros (INE, 2024).
“Mesmo num cenário conservador, com apenas 1% das obras anuais portuguesas na plataforma, a JANUA Obras representa cerca de 300 mil euros de receita recorrente anual. Aos 5% chegamos a 1,5 milhões”, explicou Manuel Passos. “E o mesmo problema existe em toda a Europa, embora cada mercado exija adaptação séria, e disso não somos ingénuos.”
Validação no terreno
A JANUA Obras está atualmente em uso por profissionais com experiência real em obra, arquitetos, empreiteiros e investidores imobiliários, em projetos a decorrer em Portugal.
“Quem percebe de obra reconhece o problema. E reconhece a solução”, sublinhou o fundador. “É isso que nos diz que estamos no caminho certo.”
O que se segue
A JANUA Obras está aberta a novos utilizadores e a conversas com investidores que partilhem a visão de uma construção mais transparente, mais eficiente e menos refém da entropia que ainda caracteriza o setor.
A plataforma pode ser acedida em obras.janua.pt, gratuitamente, sem compromisso, e a partir do primeiro projeto.
Um agradecimento sentido a toda a organização do NovaNext by Hypernova e ao Acelera Portugal pela qualidade do evento, pela curadoria das startups selecionadas, e pela conversa séria que se gerou em torno do futuro do empreendedorismo nacional.
