O teu seguro cobre os danos provocados pela Kristin?

Quando uma tempestade violenta como a depressão Kristin passa por Portugal, com ventos extremos que arrancam telhados, destroem estruturas expostas e podem até arrancar árvores, é natural perguntar‑te:

o meu seguro multirriscos cobre estes danos?

A resposta curta é: depende do que tens contratado e das condições específicas da tua apólice… mas na maioria dos casos, sim, desde que tenhas as coberturas certas.

O que é um seguro multirriscos?

O seguro multirriscos habitação ou imóvel é uma proteção abrangente que vai além do seguro obrigatório de incêndio. Inclui, entre outras coisas, coberturas contra:

  • danos causados por tempestades e ventos fortes;

  • inundações, queda de árvores ou objetos projetados pelo vento;

  • danos estruturais ao edifício;

  • danos causados pela entrada de água no interior devido a meteorologia severa.

Estas coberturas costumam estar incluídas na base dos seguros multirriscos (embora os detalhes variem de seguradora para seguradora), pelo que, em regra, danos provocados por ventos fortes e chuva intensa como os associados a uma tempestade podem estar cobertos.

Quando um seguro cobre o que aconteceu

Para que o teu seguro possa ser acionado num cenário como o da tempestade Kristin, é importante que a cobertura de fenómenos naturais esteja contratada:

  • A maioria das apólices multirriscos inclui tempestade, ventos fortes e danos resultantes destes eventos;

  • O seguro pode indemnizar danos em telhados, paredes, janelas e outras partes da estrutura se estes forem resultado direto da tempestade;

  • Se o vento projectou objetos que causaram destruição (como apontado para seguros multirriscos), esses danos também podem ser elegíveis para indemnização;

  • Em alguns casos, também podes ter cobertura por inundações, aluimentos ou queda de árvores.

Isto significa que, se um vento com velocidade significativa arrancar telhas, danificar fachadas ou permitir a entrada de água pelos telhados ou janelas, o seguro pode pagar pelos trabalhos de reparação e reconstrução, desde que esses eventos sejam cobertos pela apólice e não façam parte de exclusões.

O que verificar na tua apólice

  • Quais riscos estão especificados? Nem todas as apólices incluem todas as coberturas por defeito, às vezes um seguro multirriscos pode precisar de uma cobertura explícita para “tempestades” ou fenómenos da natureza;

  • Limites e franquias: cada apólice define um valor máximo de indemnização e uma franquia (o valor que tu suportas antes da seguradora pagar).

  • Condições de admissão: alguns seguros exigem que a construção estivesse em boas condições antes do evento, por exemplo, um telhado em bom estado antes da tempestade;

  • Exclusões: danos decorrentes apenas de desgaste natural, falta de manutenção ou negligência podem não estar cobertos, mesmo que desencadeados por uma tempestade;

E se a tempestade Kristin foi um fenómeno extremo?

No documento que tens como referência, a seguradora refere‑se a Kristin como um fenómeno extremo de vento muito forte e indica que, nesses casos, não existe matéria para acionar responsabilidade civil de terceiros, ou seja, não podes responsabilizar outro por esses danos. Em vez disso, deves assegurar que o proprietário tem um seguro multirriscos com cobertura de tempestades que possa cobrir diretamente os danos na sua propriedade.

Danos provocados por ventos muito fortes ou choque de objetos projetados pelo vento, desde que a sua violência destrua ou danifique suficientemente o edifício, são precisamente o tipo de eventos que as coberturas de tempestades em multirriscos foram desenhadas para proteger.

E se uma telha ou objeto do teu imóvel for lançado pelo vento e estragar outra casa?

Quando eventos extremos como tempestades com ventos muito fortes (ex.: rajadas acima de 90 km/h) ocorrem, a lei e os seguros lidam com isso de forma diferente de um acidente “com culpa”.

Segundo especialistas do setor segurador, em fenómenos meteorológicos dessa intensidade não existe, em regra, matéria para invocar responsabilidade civil contra outra pessoa simplesmente porque um objeto foi lançado pelo vento, ou seja, não és automaticamente responsável perante o vizinho por algo que foi fruto da força da natureza.

Neste tipo de situação, o que importa é ter a cobertura certa no seguro multirriscos do imóvel afetado. Uma apólice adequada costuma incluir tempestades, ventos fortes e os danos que estes provocam, inclusive a destruição ou danificação causada por objetos que foram projetados pelo vento a partir de outro local.

Em termos práticos:

  • Se uma telha do teu edifício foi lançada pelo vento e quebrou uma janela ou danificou o telhado de outra propriedade, o que normalmente vai pagar o prejuízo não é uma “ação civil contra ti”, mas sim a cobertura de tempestade do seguro multirriscos desse imóvel (teu ou do terceiro lesado).

  • Isto funciona desde que o evento seja coberto pela apólice e a destruição seja devidamente comprovada como resultado do fenómeno meteorológico extremo.

Em suma: não é uma questão de culpa, mas de cobertura contratada. Em caso de tempestades severas, a chave para a indemnização está no seguro multirriscos e não em processos de responsabilidade civil tradicional.

Conclusão

Se tens um imóvel e ele sofreu danos devido a Kristin ou outra tempestade severa, o teu seguro multirriscos pode muito bem cobrir os estragos provocados por ventos fortes, chuva intensa ou objetos arremessados pelo vento, mas isso depende das coberturas que estão efetivamente contratadas na tua apólice e dos termos, limites e exclusões definidos.

Antes de precisar de fazer um pedido de indemnização, vale sempre a pena rever cuidadosamente a apólice, confirmar que as coberturas de fenómenos da natureza estão incluídas e, se necessário, pedir esclarecimentos junto da tua seguradora. Afinal, num cenário de intempéries, a diferença entre um prejuízo que custa caro e uma reparação suportada pelo seguro pode estar na letra miúda da tua apólice multirriscos.

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